Bolsas de histórias

Instituto C&A em 30 de agosto de 2017

O produto final do projeto Formação em Arte, Cultura e Costura será uma bolsa costurada por meses a fio, a partir de resíduos da indústria têxtil e das histórias das alunas do curso – 20 mulheres, a maioria moradora da Casa de Acolhida Especial (CAE) Maria, Maria, localizada no bairro Canindé, região central da cidade de São Paulo.

“Quero aprender coisas novas para montar um negócio que me dê renda suficiente para trazer minhas filhas de volta. Pretendo passar para elas tudo o que eu aprender aqui, pois elas, como mulheres, têm que saber muitas coisas para ter autonomia em uma sociedade machista e não passar pelo que eu passei”, conta Cíntia de Araújo Santana, moradora da CAE, Maria desde que se separou do marido, há dois meses. Por falta de renda, ela se viu forçada a deixar as filhas na casa de sua mãe, em outra cidade.

A aula inaugural do projeto aconteceu no dia 15 de agosto, no Instituto Tomie Ohtake. A ação é fruto de uma parceria do Instituto Tomie Ohtake com o Estúdio Sem Nome e conta com o apoio do Instituto C&A. “O nosso modelo de sociedade faz as mulheres serem colocadas em mais situações de vulnerabilidade do que os homens, e assim elas têm menos oportunidades, principalmente quando se tornam mães. O projeto trabalha a desconstrução dessa opressão, apresentando o potencial criativo que a mulher tem e ensinando um ofício para desenvolver a autonomia das participantes”, explica Camila Marques Zupos, fundadora do Estúdio Sem Nome.

“Eu tinha uma oficina de costura. Nasci e me criei na costura e, até 2013, vivi dela. Como desencadeei um quadro depressivo, não consegui mais pagar minhas contas, fui despejada e acabei parando no abrigo em 2015. Hoje, estou bem melhor e quero somar mais esse aprendizado para ter outras oportunidades. Estar aqui hoje já está me ajudando bastante a vencer a depressão”, emociona-se Judite Ferreira Oliveira, outra moradora da CAE .

“Esse conhecimento é novo para mim. Já customizei minhas roupas e quero conhecer outras coisas e aprender um ofício”, conta a estudante e aluna do curso, Ana Paula da Silva Alves.

Serão três meses de atividades, e as participantes receberão ajuda de custo para alimentação e transporte, além do maquinário. As alunas terão como desafio criar uma bolsa feminina a partir do estudo da exposição Invenções da Mulher moderna – para além de Anita e Tarsila.

Mulheres que Inspiram

O apoio do Instituto C&A a esse projeto é fruto da iniciativa Mulheres que Inspiram, que convidou, em 2016, os associados da C&A a compartilhar selfies em homenagem às mulheres inspiradoras que conheceram ao longo da vida. Com mais de 80% de participação dos associados, a campanha gerou uma doação de mais de R$ 500 mil para apoiar instituições brasileiras que trabalham para capacitar mulheres. Parte desse valor está sendo destinado ao projeto Formação em Arte, Cultura e Costura.

Moda sustentável

Os resíduos têxteis são a segunda maior causa de poluição no mundo. Diariamente são produzidas 12 toneladas desses resíduos no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, por exemplo. “A nossa proposta é, aproveitando o descarte da indústria, apresentar uma moda sustentável para que as participantes entendam o problema e a importância do olhar a longo prazo. Pensando no futuro, acreditamos que a indústria está migrando para a moda sustentável e queremos formar essas novas profissionais já com esse olhar”, finaliza a fundadora do Estúdio Sem Nome.

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Veja mais sobre a campanha Mulheres que inspiram aqui (em inglês)

Fotos: Ricardo Miyada