Democraticamente justo

Instituto C&A em 7 de abril de 2017

Conheça quem está no Mapeamento de Inovações Sociais.

Dando continuidade à nossa série de artigos com empreendedores sociais que participaram do estudo Mapeamento de Inovações Sociais,que realizamos em parceria com a Ashoka, hoje você conhece a história de Laércio Meirelles, Empreendedor Social Ashoka e coordenador da ONG Centro Ecológico Ipê.

“Desde a faculdade de agronomia, que concluí em 1988, meu interesse sempre foi a agricultura ecológica. Logo que terminei a graduação, comecei a trabalhar no Centro Ecológico Ipê, onde estou até hoje.

Quando o assunto é a alimentação orgânica, uma das grandes demandas desse mercado sempre foi a certificação. E na minha época de recém-formado, a única maneira de confirmar que um item era orgânico era a garantia por terceira parte, que é atribuída por uma companhia contratada para atestar a procedência e a qualidade do produto. O ponto é que o nosso trabalho no Centro era e é feito preferencialmente com agricultores familiares que, em sua maioria, não têm recurso para arcar com esse processo de certificação.

Então, tivemos a ideia de criar uma metodologia para que os próprios produtores pudessem garantir a idoneidade de seus alimentos. Foi assim que nasceu o Sistema Participativo de Garantia (SPG). Essa diretriz é respaldada pelas melhores práticas do setor e pela legislação e tem sua eficácia comprovada pelo mercado. O sistema já é aplicado em todo o Brasil e em países como Uruguai, Paraguai, México e Equador.

Há alguns anos, fui contatado por uma equipe do Projeto Dom Helder Camara, um conjunto de ações para o combate à pobreza e o apoio ao desenvolvimento rural sustentável no semiárido do Nordeste. Eles me convidaram para fazer uma consultoria nas plantações de algodão orgânico da região – naquela época, os produtores nordestinos só possuíam a certificação por terceira parte. O trabalho durou alguns anos, implementamos o SPG lá e, desde então, o sistema vem rodando com bastante sucesso em diversas propriedades naquela área.

Com todo esse avanço da conscientização pública sobre a sustentabilidade e, consequentemente, sobre os orgânicos, o mercado tem crescido em um bom ritmo. Há cerca de 20 anos, esse nicho movimentava U$ 4 bilhões, e hoje já estamos na casa de U$ 80 bilhões. As certificações com certeza apoiaram esse movimento, e o SPG possibilitou que até mesmo pequenos produtores tivessem acesso a esses mercados tão exigentes. Nada mais justo, não é?"

Quer saber mais sobre o Mapeamento da Inovação Social? Confira a matéria e baixe a publicação.

A Asoka está buscando novos empreendedores sociais do setor têxtil para a rede de “fellows". Saiba mais sobre como fazer indicações e auto-nomeações.

Fotografias: Acervo Ashoka