Inovação na cadeia da moda

Instituto C&A em 6 de novembro de 2017

Christel Scholten, Diretora Executiva da Reos Partners no Brasil nos apresenta o Laboratório de Moda Sustentável, iniciativa multissetorial que busca discutir alternativas para os desafios relacionados à indústria da moda e ao setor do vestuário no Brasil. O Instituto C&A é parceiro-fundador e participa do Laboratório.

Christel tem uma carreira ligada a sustentabilidade e as questões sociais e ambientais. Antes de chegar ao Reos Partners, em 2009, ela trabalhou com microcrédito em Bangladesh e passou pelo ABN AMRO Bank (Holanda) e pelo Banco Real (Brasil). Conversamos com Christel após sua participação no painel sobre o Laboratório da Moda, realizado pelo Instituto C&A no Sustainable Brands.

Instituto C&A: O que é o Laboratório de Moda Sustentável?

O laboratório é fruto de uma parceria firmada entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) e a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O Instituto C&A é parceiro-fundador da iniciativa, que é realizada pelo Instituto Reos. O trabalho foi dividido em duas etapas. Na primeira fase, que estamos finalizando agora, construímos, por meio do diálogo com atores que formam um microcosmo do sistema do setor do vestuário, um conjunto de cenários relevantes, desafiadores, plausíveis e claros para estimular a reflexão e o debate sobre o futuro do setor do vestuário. Para isso, escolhemos o ano de 2035 como horizonte. Na segunda fase, a intenção é criar e testar iniciativas multissetoriais que tragam inovações para o setor do vestuário nos próximos anos.  

“Tentamos criar um grupo que fosse o mais representativo possível, levando em conta diversidades relacionadas a perspectiva, olhar, ideologia, setor, raça, cor, região, gênero, idade e elos da cadeia.”

Christel Scholten, Diretora Executiva Reos Partners

Instituto C&A: Quais são os principais desafios após dois encontros do grupo?

A nossa primeira questão foi tentar identificar quem deveria participar do processo, pois a representatividade desses atores é muito importante. Convencer pequenos varejistas, costureiras brasileiras e bolivianas a participarem também foi um desafio, assim como criar um ambiente seguro para que essas pessoas se sentissem à vontade para dialogar nas primeiras oficinas. Além disso, há as tensões entre esses atores, que têm interesses e perspectivas diversas.

Instituto C&A: Dentro de uma cadeia tão pulverizada, quais são os requisitos para convidar os 35 participantes?

Tentamos criar um grupo que fosse o mais representativo possível, levando em conta diversidades relacionadas a perspectiva, olhar, ideologia, setor, raça, cor, região, gênero, idade e elos da cadeia. Durante a segunda oficina, por exemplo, convidamos setores que estavam faltando, criando mais equilíbrio e representatividade no grupo.

Instituto C&A: Quais oportunidades surgiram desses desafios?

O grupo ainda está buscando enxergar o potencial do projeto. Queremos entender o que podemos criar juntos, perceber as oportunidades de novos relacionamentos entre os elos da cadeia, quais formas de colaboração podemos desenvolver. O fato de agora estarmos juntos facilita a criação de iniciativas. Acredito que, na fase dos laboratórios, enxergaremos melhor as oportunidades.

Instituto C&A: O que foi realizado até o momento e quais são as perspectivas?

Construímos cenários que representam quatro possíveis futuros para a indústria da moda no Brasil, fortalecemos relacionamentos entre atores no sistema e o grupo aprofundou seu entendimento dos desafios e oportunidades no sistema. Em novembro, daremos um passo importante, com um mapeamento sistêmico para entendermos quais padrões enxergamos no Brasil, quais estruturas estão contribuindo para esses padrões e o que está por trás dos modelos mentais na sociedade brasileira. A partir desse estudo, vamos identificar pontos de alavancagem, que são pontos no sistema nos quais as iniciativas criadas podem promover uma transformação maior. Pelo que ouvimos na sessão sobre o projeto no Sustainable Brands, esses pontos podem estar relacionados à questões ambientais, de gênero e ao modelo de negócio. A perspectiva é testar algumas iniciativas até maio.

Instituto C&A: Como será o acompanhamento do que está sendo construído, uma vez que vocês estão olhando para 2035?

Traçamos cenários pensando em 2035 mais para termos um horizonte de tempo para pensarmos o futuro. De qualquer forma, o ideal é que o projeto se transforme em uma plataforma contínua, dando sequência a novas iniciativas. Para isso, desenvolvemos a teoria da mudança para o projeto, incluindo metas, objetivos e o desejo de termos melhores condições de vida e trabalho no setor, consumidores mais conscientes e de vermos as questões ambientais resolvidas. Há vários eixos que queremos trabalhar, e esperamos muitas transformações nos próximos anos.

Quer saber mais sobre o futuro da moda?

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Fotos: Diego Garcia / Instituto C&A