Feito à mão!

Instituto C&A em 1 de março de 2018

Trabalhamos com parceiros em toda a indústria da moda para enfrentar as causas do trabalho forçado e do trabalho infantil. Também acreditamos que, para transformar a moda numa força para o bem, precisamos enfrentar a desigualdade de gênero e a violência contra as mulheres. Por isso, aplicamos uma lente de gênero em tudo o que fazemos. Nesse sentido, em dezembro de 2017, decidimos apoiar o fortalecimento da rede de artesãs e costureiras por meio do projeto “Entusiasta: potencializando artesãs e costureiras”. Desenvolvida pela Rede Asta, a iniciativa atua em três eixos para dar mais autonomia às mulheres artesãs e combater o trabalho infantil:

- Diagnóstico sobre trabalho infantil: desenvolvido em parceria com o Observatório das Favelas - organização da sociedade civil de pesquisa, consultoria e ação pública dedicada à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos –, o relatório irá investigar as condições de trabalho das artesãs/costureiras, com atenção especial para as formas eventuais de inserção de crianças e adolescentes no ambiente e/ou processo de trabalho. Após o período de pesquisa, será realizado um seminário com 50 artesãs para, junto com elas, construir soluções para os cenários observados na primeira fase. O resultado treinamento desse trabalho será transformado em conteúdo de na Plataforma Entusiasta.

- Aplicativo de precificação: modo de precificar produtos têxteis e artesanais de forma rápida, didática e fácil. A partir de configurações básicas de margens de lucro e contribuição, o usuário poderá inserir as informações necessárias para que o preço correto seja calculado.

- Formação de núcleos de artesãs: artesãs e costureiras serão convidadas a montar grupos para trocas de experiências e conhecimento. 

“A ideia central do projeto é potencializar artesãs e costureiras para que a falta de conhecimento e conscientização em temáticas ligadas aos direitos e às relações humanas não dificultem seu desenvolvimento e autonomia.”

Alice Freitas, cofundadora da Rede Asta.

Web e mobile da Plataforma

Para dar suporte a tudo isso, foi criada a Entusiasta, uma plataforma on-line composta pela Escola de Negócio das Artesãs – um programa de treinamento baseado nos 12 anos de experiência da Rede Asta na economia do feito à mão; Conexão com o mercado – uma  interface onde varejistas e profissionais que precisem de mão de obra artesanal para seus projetos encontrem artesãs/costureiras ranqueadas pelo desempenho na Escola de Negócio; e pela criação de Rede de interação (mídia social)   – um aplicativo de comunicação para que as artesãs/costureiras troquem ofertas e demandas on-line. Estima-se que até o final de 2018, cerca de mil artesãs e costureiras terão acesso à plataforma. Na avaliação de Alice, “a parceria com o Instituto C&A vai ajudar a Asta a criar uma metodologia de formação de redes de artesãs pelo Brasil, fortalecendo cada vez mais a economia do feito à mão e prevenindo o trabalho infantil”.

“A grande maioria dos grupos produtivos que atuam com artesanato e têxteis são formados por mulheres e as pesquisas indicam que uma parte significativa de sua renda é investida na família, o que nos leva à conclusão de que investir em mulheres é a melhor maneira de gerar resultados sustentáveis e multiplicáveis para as famílias no longo prazo”, avalia Luciana Almeida, gerente de Direitos Humanos e Transformação da Cadeia de Fornecimento

O projeto abordará três questões prioritárias:

  • Poder x Potência: “A ideia central do projeto é potencializar artesãs e costureiras para que a falta de conhecimento e conscientização em temáticas ligadas aos direitos e às relações humanas não dificultem seu desenvolvimento e autonomia”, explica Alice Freitas, cofundadora da Rede Asta
  • Prejuízo x Precificação: muitas artesãs e costureiras têm prejuízos porque não sabem precificar suas peças e com isso não conseguem adotar uma postura mais assertiva na hora de negociar com seus clientes.
  • Trabalha Infantil x Repasse de saber: o risco de acontecer trabalho infantil nos grupos de produção é uma questão importante para a economia do feito à mão e para as produções têxteis.


Fotos: Acervo Rede Asta