Nelsa Inês e a Justa Trama

Instituto C&A em 2 de abril de 2017

Conheça quem está no Mapeamento de Inovações Sociais

A partir de hoje, você acompanhará, aqui no nosso site, uma série de artigos com empreendedores sociais que participaram do Mapeamento de Inovações Sociais, publicação global que realizamos em parceria com a Ashoka. A nossa primeira personagem é Nelsa Inês Fabian Nespolo, Empreendedora Social Ashoka e diretora-presidente da Justa Trama, uma cooperativa que atua na cadeia produtiva da moda, desde o plantio do algodão agroecológico até a comercialização de peças confeccionadas com esse material. Confira abaixo!

“Sou filha de pequenos agricultores familiares do interior do Rio Grande do Sul. Como muitos jovens que nasceram no campo, quando me aproximei da vida adulta, vim para a cidade para explorar novos horizontes. Foi nesse momento que conheci a Juventude Operária Católica­ (JOC), um grupo de jovens que deseja melhorar o mundo por meio da transformação de realidades sociais desfavorecidas. Com eles, viajei o Brasil inteiro, tive muitas experiências, e uma chama se ascendeu dentro de mim.

Depois de me casar, fui morar em Fortaleza (CE) e comecei a trabalhar em uma confecção. Lá, conheci a realidade do mundo da moda e vi muitas coisas com as quais não concordava. De alguma forma, isso se conectou ao chamado que eu havia sentido com a JOC. Quando voltei para o Rio Grande do Sul, trabalhei em outras empresas e, em cada um desses locais, percebia como as mulheres normalmente eram o elo frágil nas engrenagens do mercado.

Acabei sendo demitida e decidi que era o momento de ter outra relação com o trabalho. Eu queria ser feliz e me sentir realizada. Então, comecei a costurar em casa. Com o passar do tempo, senti muita vontade de fazer isso com outras pessoas. Conversei com algumas colegas do bairro, nós nos reunimos e, após alguns ajustes, conseguimos montar uma cooperativa de costureiras: somente mulheres da comunidade e que precisavam elevar sua renda. Era como se eu unisse meu desejo de ter um papel social mais responsável com a luta pelos diretos das mulheres.

O começo foi difícil, tivemos de nos profissionalizar, entender de legislação, captar clientes e não tínhamos dinheiro nem uma sede. Aos poucos, o trabalho foi engrenando, fizemos parcerias ao longo do tempo e, depois de dez anos, éramos aproximadamente 25 mulheres atuando com confecção e serigrafia em um negócio sustentável. Mas queríamos mais.

Achamos que seria uma boa ideia formar uma grande rede de pessoas ligadas à moda: sindicatos, outras cooperativas, trabalhadores do campo, etc. Nesse esforço, naturalmente nos aproximamos de profissionais que atuavam com algodão agroecológico. Isso não era somente uma questão de mercado, era de convicção. Acreditamos que nosso trabalho deve trazer impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente e proporcionar uma remuneração justa para todos os envolvidos. Foi assim que consolidamos a Justa Trama como ela é hoje, com cerca de 600 profissionais espalhados por todas as regiões do Brasil.

Desde 2006 a Justa Trama se conectou à Ashoka e virei uma empreendedora social conectada à rede, uma “fellow". Participar desse estudo em parceria com o Instituto C&A foi muito bacana para entender o que está sendo feito no Brasil e em quais pontos de melhoria podemos atuar. Mais importante, o estudo deixou muito claro que dá para fazer uma moda mais justa e sustentável quando descentralizamos a renda e dividimos os resultados com toda a cadeia. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas, sem dúvida, a jornada será percorrida sob terreno firme e fértil."

Quer saber mais sobre o Mapeamento da Inovação Social? Confira a matéria e baixe a publicação.

A Asoka está buscando novos empreendedores sociais do setor têxtil para a rede de “fellows". Saiba mais sobre como fazer indicações e auto-nomeações.


Fotografias: Acervo Ashoka.