O futuro da moda em análise

Manoela vianna em 9 de junho de 2017

O galpão da Malha reuniu na semana passada jovens, criadores, empreendedores e curiosos sobre o futuro da moda e o presente de tantas transformações em curso. O motivo do encontro foi o lançamento do “Era de Transição”, primeiro relatório de tendências que irá compor a publicação “Caderno o Futuro da Moda”, desenvolvido pela Malha, com apoio do Instituto C&A. Serão seis relatórios com reflexões sobre as transformações culturais, novos comportamentos de consumo, inovações em tecnologias e cases de agentes que já apresentam novas formas de produzir e consumir moda.

O evento contou com a presença de André Carvalhal, cofundador da Malha, e Luisa Santiago, representante no Brasil da Fundação Ellen MacArthur, organização inglesa que potencializa iniciativas na direção de uma economia circular. Margarida Curti Lunetta, gerente de Materiais Sustentáveis do Instituto C&A, abriu o evento explicando que o Instituto acredita que a moda precisa ser repensada e por isso a organização tem trabalhado para buscar caminhos para a diminuição de impactos no meio ambiente e para que os trabalhadores da indústria da moda prosperem.

“Eu escolho determinada marca não mais porque ela representa quem eu quero ser, mas porque eu acredito no mesmo que a marca acredita. ”

fundador da Malha André Carvalhau

Era de transição

“A gente acredita que estamos em uma era de transição [...] O mundo que a gente conhecia quando a gente nasceu não tem mais sentido [...] e existe um enorme anseio pelo novo,” afirmou André Carvalhal em sua apresentação sobre o relatório de tendências. A publicação é dividida em quatro drivers: Diversidade, Hiperconectividade, Sustentabilidade e Ativismo de Marca.

Segundo André, estamos em uma era de transição, mas a transformação ao mesmo tempo já chegou sendo para o bem ou para o mal, então vivemos em um mundo hiperconectado, aberto, líquido e rápido demais: “Mas eu costumo dizer que estamos furando uma onda e vamos alcançar a nova era.”

O primeiro driver do relatório trata dos Millenius, nome dado para a geração que nasceu a partir dos anos 80 até os anos 2.000. São pessoas que nasceram junto com o nascimento da internet, conectadas com tecnologia e outros valores: “os milleniuns são muito mais que uma fatia da população que nasceu em uma determinada época, o Millenium é um comportamento, um perfil de uma pessoa que viveu a transição tecnológica e que hoje vai fazer uma transformação no mercado seja produzindo, seja consumindo. [...] Neste mundo dos Milleniuns as marcas não podem mais se prender a estilos de vida como era feito nos anos 80.” Para André, são os propósitos e as causas que vão conectar cada vez mais as pessoas e os consumidores às marcas. “Eu escolho determinada marca não mais porque ela representa quem eu quero ser, mas porque eu acredito no mesmo que a marca acredita.”

O relatório também aborda como alta conectividade influencia a forma que as pessoas se relacionam e se posicionam no mercado. Em 60 segundos, 500 vídeos são postados no Youtube e 3,3 mihões posts são publicados no Facebook, de acordo com a publicação. A hiperconectividade está mudando o mundo do trabalho e os negócios.

Outro destaque na publicação são as tendências sobre Moda Sustentável. Segundo Carvalhal, as previsões feitas na Eco 92 e em outros momentos importantes da história não foram ouvidas e elas agora estão bem próximas de se tornarem realidade. Hoje as pessoas começam a perceber como o estilo de vida impacta o meio ambiente

A sustentabilidade deixa de ser uma moda e passa a ser vista como essencial. O relatório indica como tendências a adoção de modelos de economia regenerativas e a necessidade de saber a origem dos produtos. “Da mesma forma que a gente começa a querer escolher o alimento, daqui a pouco vamos querer saber se a nossa roupa não carrega elementos tóxicos”, disse André.

Neste cenário as marcas pequenas também passam a influenciar as grandes, atributos de sustentabilidade passam a ser valorizados e as pessoas começam a entender que comprar é um ato político. Um dos cases deste contexto apresentado no relatório como agente da indústria da moda sustentável é o Banco de Tecido. Trata-se de uma empresa que recebe depósitos de tecidos, armazena, troca e vende o material com consumidores ou empresas interessadas. O Banco de Tecido foi finalista no Demo Day do Social Good Lab e do Changemakers da Ashoka, projetos apoiados pelo Instituto C&A.

Economia Circular, cases e próximos passos

Luisa Santiago apresentou o conceito da economia circular que contrapõe a linear, propondo o reaproveitamento sistemático da produção se baseando em ciclos contínuos de desenvolvimento. Luisa lembrou que a economia linear desperdiça milhões com os descartes e representa uma perda de oportunidades.

O evento foi encerrado com as apresentações de cases: Luciana Nunes da Lucid bag; Mayra Sallie e Luana Depp da Mig Jeans; Patricia Sant'anna do Fashion Revolution, Lucas Arcoverde da Mescla e Murilo Farah da Benfeitoria.

Os próximos relatórios que serão lançados mensalmente até o fim do ano serão “O Poder do Self – Narrativas Identitárias”, “O Poder dos Comuns – O Fim das Instituições”, “O Poder do Planeta – Novas Cadeias de Valor”, “O Poder das Máquinas – Tecnocracia” e “O Poder do Gênero – Sexualidade e Expressão”.

Baixe aqui o relatório.