Transparência como estratégia de combate ao trabalho escravo

Instituto C&A em 6 de outubro de 2017

Transparência na cadeia de fornecedores foi o tema de dois painéis promovidos pelo Instituto C&A, em parceria com o Inpacto, durante a #ConferenciaEthos, que ocorreu nos dias 27 e 28 de setembro, em São Paulo. Discutimos como as ferramentas de transparência estão sendo usadas no Brasil e no mundo para o combate ao trabalho escravo.

No primeiro painel, Mércia Silva, diretora executiva do InPacto, e Benjamin Skinner, da Transparentem, nossa parceira global, destacaram:

- No Brasil, em 2005, foi lançado o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que reúne empresas brasileiras e multinacionais que assumiram o compromisso de não negociar com quem utiliza mão de obra escrava. Cerca de 400 empresas assinaram o Pacto e se comprometem a seguir os seus dez compromissos, que são linhas de ação que essas companhias devem desenvolver para enfrentar o trabalho escravo em suas cadeias produtivas.

- No mundo, a Transparentem investiga casos de corrupções e problemas sociais e ambientais endêmicos, ou seja, restrito a determinada região geográfica. A partir de técnicas de jornalismo investigativo, a organização produziu um relatório que serve como uma notificação primária para a empresa que está envolvida na cadeia que está sendo investigada. “Usamos câmera escondida e outras tecnologias para contar histórias reais sobre condições de trabalho. Visitamos as empresas que estão comprando na cadeia, apresentamos o relatório e damos um prazo para elas entenderem a situação e decidir o que querem fazer a respeito”, contou Skinner. Após esse período, a organização divulga para acionistas, conselho deliberativo e alguns jornalistas selecionados um resumo do relatório com as respostas da empresa.

Em uma iniciativa apoiada pelo Instituto C&A em nível global, a Transparentem contribuiu para a libertação de 30 mil pessoas em condições degradantes de trabalho em curtumes em Blangadesh, em abril deste ano. “Não tinha nenhum tratamento de efluentes nos 150 curtumes, e uma pesquisa revelou que 90% dos trabalhadores morriam até os 50 anos de idade. Fizemos uma investigação e descobrimos que 11 grandes marcas tinham seus fornecedores diretos envolvidos na compra de couro desses curtumes ilegais”, contou Skinner. 

“As empresas sempre nos perguntam: o que a gente quer? Mas não se trata do que queremos, mas o que o conselho quer, o que os consumidores querem e o que a sociedade espera”

Benjamin Skinner, da Transparentem

No segundo painel, Santista Têxtil, C&A e Wal-Mart apresentaram cases de como eles têm atuado na busca da transparência em suas cadeias de fornecimento, com destaque para a divulgação da lista de fornecedores da C&A, que está disponível em seu site.

“A moda pode ser uma força para o bem, e a transparência é um elemento fundamental”, afirmou Paulo Correa, CEO da C&A. O vice-presidente de Ética e Compliance do Wal-Mart, Alexandre Esper, explicou como a empresa está monitorando sua cadeia por meio de um sistema de rastreamento e trouxe um dado alarmante, afirmando que “a indústria do trabalho escravo movimenta U$ 105 bilhões no mundo”.

O diretor de Compliance da Santista Têxtil, Mauro Grecco, finalizou o painel mostrando a Política de Compliance da companhia e outras ferramentas que inibem práticas que ferem essa política, como trabalho escravo e infantil. “Desde de 2014 até hoje, a Santista deixou de vender o montante equivalente a 5% do seu faturamento para clientes que destinavam produtos para informalidade ou não atendiam a nossa Política de Compliance. Não vendemos para clientes que possuam qualquer indicador que não nos permita seguir com ele”, afirmou Grecco.

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