Um jeito novo de produzir e consumir

Instituto C&A em 2 de maio de 2017

Um novo jeito de produzir e consumir. Essa é uma tendência apontada pelos especialistas, empreendedores e personalidades que participaram do evento Diálogos Transformadores, apoiado por nós e realizado no auditório da Folha de São Paulo, no dia 18 de abril. A pauta do encontro foi economia circular , que é um novo modelo econômico, no qual não há descarte, e os elementos da cadeia produtiva são reaproveitados na fabricação de novos produtos.

Carlos Ohde, diretor-geral da Sinctronics, apresentou sua empresa – que tem a economia circular com base de atuação – como exemplo prático desse modelo, afirmando que “95% do que entra na companhia se torna matéria-prima, e os outros 5% são convertidos em energia". A brasileira Sinctronics transforma resíduos eletroeletrônicos em matéria-prima e, desde 2013, já reciclou 12,4 mil toneladas de equipamentos eletrônicos que teriam o aterro sanitário como destino. Seu modelo de negócio se tornou uma referência mundial em economia circular.

Outros cases de sucesso mostrados foram os da Retalhar e da Fundação Ellen MacArthur. A Retalhar transforma uniformes profissionais, que seriam descartados, em brindes e cobertores que são distribuídos para moradores de rua. A inciativa foi vencedora do prêmio Jovem Changemaker da Ashoka e apresentada no Diálogos Transformadores pelo seu cofundador, Jonas Lessa que apresentou um novo olhar sobre os resíduos têxteis. “ Quando você vê a quantidade de resíduos sendo descartados, percebe a quantidade de valor que pode surgir a partir disso". Já a Fundação Ellen MacArthur, representada no evento por Luísa Santiago, líder da organização no Brasil, reúne empresas ao redor do mundo dispostas a mudar seus modelos de negócio por meio da economia circular.

O encontro seguiu com um debate com Fernanda Paes Leme, apresentadora do programa 'Desengaveta', no canal GNT; Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu para o Consumo Consciente; e Ricardo Abramovay, professor de Economia da USP, que escreveu o livro “Muito Além da Economia Verde". Segundo o professor, “o elefante está na sala", referindo-se ao modelo econômico atual, no qual o lucro das empresas cresce à medida que o consumo aumenta. Ainda de acordo com ele, “o fast fashion diminuiu o prazo entre o desenho de uma roupa e o momento que em que ela é colocada em liquidação de um ano e meio para três meses".

Duas pessoas também compartilharam suas histórias para encerrar o dia de maneira especial: Luciana Bueno, empreendedora que criou o Banco de Tecido para reuso de retalhos e sobras que iriam para o lixo, e Mundano, integrante da rede Ashoka, que criou o Pimp My Carroça para dar visibilidade a catadores de materiais recicláveis. Mundano trouxe para o debate a relação da sociedade com o lixo. Segundo ele, “em São Paulo, são geradas 18 mil toneladas de resíduo, e apenas 2% desse total é reciclado. Além disso, o trabalho dos catadores não é valorizado, e eles desempenham uma atividade que presta serviço para a sociedade e faz parte da ideia de economia circular".

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Foto: participantes do evento / Manoela Vianna