Vida após o trabalho forçado: desejo de frequentar a escola

by Joana Castello Branco on Jan 09, 2017

Na série da C&A Foundation Life After Forced Labour (em tradução livre: Vida após o trabalho forçado), o fotógrafo Ryan Lobo encontra mulheres que reconstruíram suas vidas após terem trabalhado sob um tipo específico de trabalho forçado chamado Sumangali, praticado especialmente por crianças na indústria têxtil da Índia. Elas gentilmente compartilharam conosco suas histórias de amor, luta e esperança para o futuro.

Jancyrani tem 15 anos, mora com seu pai na aldeia de Thavasimadai. Ela frequenta a escola estadual de Sanarpatty, mas foi uma luta longa e árdua para chegar lá. “Meu pai não queria que eu fosse à escola", recorda Jancy. “Ele queria que eu trabalhasse nas fábricas. Ele é alcoólatra e bate em mim. Já ameaçou me expulsar da casa dele se eu o desobedecesse".

Quando os amigos de Jancy souberam disso, um deles decidiu chamar uma ONG local, chamada 5s, para ajudá-la. Naquela mesma noite, a 5s se encontrou com Jancy e a acolheu. Eles ofereceram abrigo e proteção e a ajudaram a confrontar seu pai. Mas o pai de Jancy se manteve inflexível. Ele insistiu que ela fosse trabalhar nas fábricas. Essa era a única maneira pela qual ela poderia ser útil. Ele não tinha recursos para mandá-la para a escola e não tinha a esposa para ajudá-lo.

“Quando eles me resgataram, eu não tinha esperança. Eu emprestava coisas como sabão e óleo de cozinha de uma vizinha e tentava ficar fora do caminho do meu pai. Hoje, a 5s paga minha escola e todas as minhas necessidades básicas. Eu só quero ficar na escola”

Jancyrani (15)

O pai de Jancy finalmente cedeu, mas com uma condição. “Ele concordou que eu fosse para a escola contanto que ele não tivesse que pagar um centavo por minhas despesas. A 5s cuida disso agora", explica Jancy. “Sempre que meu pai me agride ou tenta forçar-me a trabalhar nas fábricas, eles intervêm e me dão abrigo. Mas estou determinada. Irei para a escola". Com o apoio de seus vizinhos, amigos e da 5s, Jancy está agora no 1º ano do Ensino Médio e morando na escola com as outras crianças. O pai dela ainda quer que ela trabalhe nas fábricas, mas ela sabe que, por meio da educação, poderá conseguir evitar esse destino.

A C&A Foundation está empenhada em trabalhar em conjunto com parceiros como Freedom Fund e 5s para erradicar o trabalho forçado. Atuamos para garantir que garotas como Jancy tenham a chance de ir à escola e escapar do destino de tantas outras que são forçadas a trabalhar em Sumangali. Aqui no Brasil, nós, do Instituto C&A, também estamos combatendo o trabalho forçado na indústria da moda. Há dez anos, apoiamos organizações como a Missão Paz e o Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (Cami), que trabalham na região metropolitana de São Paulo para garantir uma condição de vida digna para imigrantes em situação de vulnerabilidade.

Este texto foi traduzido da matéria publicada no site da C&A Foundation. Para ler a versão original, clique aqui.


Fotografia de Ryan Lobo