Algodão orgânico e consórcios agroecológicos: um modo de vida sustentável

editado por Manoela Vianna em 11 de Agosto de 2017

Seu Antonio é um dos agricultores do projeto que já tinha experiência com o plantio do algodão e beneficiamento do gergelim. Sua história bem-sucedida inspira os outros agricultores, mas a presença no projeto é importante também para que ele melhore ainda mais as condições de sua família porque permite que tenha acesso a novas técnicas e aprendizados. O discurso empoderado de Antonio é pautado nos valores da agroecologia e mostra como este modo de vida reflete na qualidade de vida e relações sociais. Alimentação saudável e igualdade de gênero são realidades na vida de Antonio e de sua família.

Meu nome é Antônio Alberto, sou agricultor, apicultor e também tenho uma horta. Moro em um assentamento chamado Alto Paraíso, formado por 23 famílias, cada uma com uma casa ocupando um hectare e áreas comuns para plantação. Aqui a gente tem milho, feijão, algodão, gergelim, hortaliças.

Quando eu cheguei ao assentamento comecei a plantar milho e feijão e ninguém sabia nada sobre consórcio [aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes]. A gente fazia queimada para limpar o terreno, mas eu percebia que eu estava acabando com a área porque os animais sumiam. No primeiro ano depois da queimada, a terra produz bem, mas no segundo já não dá mais nada.

Em 2004, eu comecei o processo de transição [transição para cultivar a terra seguindo o conceito da agroecologia], quando recebi um convite do Pedro Jorge [diretor do Esplar, parceiro do projeto] para uma reunião em Choró [CE]. Nós visitamos umas áreas em Tauá que usavam a terra de forma diferente. Nesta época eu fui aprendendo sobre consórcio e comecei a usar o Nin. [Nin é um pesticida natural que pode substituir o uso de pesticidas químicos].

Hoje eu incentivo outras famílias do assentamento que não estão fazendo agroecologia a entrarem também, mas a gente não convence todos. Algumas pessoas já ficaram doentes pelo uso de agrotóxicos.

Nós já conquistamos o mercado com a produção de orgânico. Nós vendemos a pluma do algodão, beneficiamos o algodão e o gergelim com valorização do preço. De 50kg do gergelim com qualidade, nós tiramos 10l de óleo, 1l está entre R$ 140,00 e R$ 150,00.  Hoje a gente tá produzindo um alimento sadio para as nossas famílias e para a população em geral porque abastecemos os comércios.

O projeto: Como parte deste novo projeto, plantei no dia 15 de fevereiro este algodão, tanto do Herbáceo e do Mocó.  É a primeira vez que experimento plantar o Mocó e acho que vai dá certo. Cada reunião do projeto, aprendo coisas novas.

A agroecologia é cuidar do meio ambiente, é cuidar da mãe terra e do alimento. É conviver com todos os seres vivos sem maltratá-los. 

Saiba mais sobre nossos projetos de Incentivo ao Algodão Sustentável

Fotos: Tatiana Cardeal