A irrigação por gotejo faz a diferença e renova esperanças

Instituto C&A em 15 de Agosto de 2017

Azeli de Souza participa do projeto “Tecendo Valor: Produção de Algodão Sustentável na Agricultura Familiar”. Juntamente com a Fundação Solidaridad, estamos testando um modelo autossustentável de cultivo para que produtores do semiárido de Minas Gerais e da Bahia possam retomar o plantio do algodão sustentável, aumentando a renda de suas famílias. Azeli é proprietária de uma das Unidades Demonstrativas e nos conta que já é possível ver a diferença que a irrigação por gotejo, ação que faz parte do projeto, faz na plantação. Ao todo, foram implementadas 32 unidades técnicas, nas quais foram instalados kits de irrigação por gotejamento. Comparado às técnicas tradicionais de irrigação, o gotejamento economiza água e mão de obra e aumenta a produtividade (veja aqui outra história de sucesso dessa técnica com pequenos agricultores na Índia).

“Podemos comparar, aqui na nossa roça, que as partes que estão sendo irrigadas por gotejo se desenvolvem mais. As flores do algodão não caem porque estão com a água necessária. Mas, se olharmos as roças sem essa irrigação, vemos o algodão bem murcho.

Nossa vida é muito difícil, pois a seca fica pior a cada ano. O gotejo foi uma boa solução para enfrentar esse problema. Eu sempre frequento as reuniões do projeto junto com outras mulheres, como a Joaquina [outra proprietária de terra e responsável por uma das Unidades Demonstrativas], mas nem todas vão.

Quando conhecemos esse projeto, ele nos deu esperança. Antes da cooperativa, trabalhávamos sozinhos. Como foi falado na palestra sobre cooperativismo [parte das capacitações do projeto], quando fazemos as coisas sozinhos, as chances de darem erradas são maiores. Mas, se tiver uma associação que trabalha junto com a gente, aí tudo vai ficando mais fácil. Por exemplo, ajuda ter uma associação e ter mais conhecimento na hora de vender a produção. 

Normalmente, trabalhamos muito e não temos nenhum aumento de renda para vivermos mais tranquilos. Então, o projeto nos dá esperança. Com ele, aprendemos a fazer a roça produzir mais, podemos ter mais lucro e vivermos mais sossegados.

Se as condições de vida daqui melhorarem, é possível que as pessoas que saíram da região em busca de novas oportunidades retornem. Sempre ouvimos de quem foi morar fora que aqui é lugar para se viver. Temos tranquilidade, sem a muvuca da cidade. Até os jovens falam isso. Eu espero que isso aconteça com minhas duas filhas, que se mudaram para Uberlândia [localizada triângulo mineiro] para ter mais acesso aos estudos e ao trabalho". 

“Já é possível ver a diferença que a irrigação de gotejo faz na plantação.”

Azeli de Souza, agricultora