Renascimento por meio da arte e da costura

Instituto C&A em 21 de Dezembro de 2017

O produto final do projeto Formação em Arte, Cultura e Costura foi uma bolsa costurada durante três meses pelas alunas do curso e que ficará em exposição no Instituto Tomie Ohtake a partir do dia 30 novembro. Vinte mulheres – a maioria moradora da Casa de Acolhida Especial (CAE) Maria, Maria, localizada no bairro Canindé, região central da cidade de São Paulo – participaram da iniciativa, que é fruto de uma parceria do Instituto Tomie Ohtake com o Estúdio Sem Nome e conta com o apoio do Instituto C&A (saiba mais aqui). Uma das alunas do curso é a Judite Ferreira Oliveira, de 51 anos, que mora no abrigo desde 2015, quando desencadeou um quadro depressivo.

Com dinheiro poupado com o trabalho de costureira, Judite montou sua própria oficina em 2000. Aos poucos, os clientes foram aparecendo e, até 2012, ela tinha uma vida próspera na oficina e já contava com alguns funcionários. A depressão surpreendeu Judite, que aos poucos foi abandonando o trabalho e, quando se deu conta, estava sendo despejada por não conseguir arcar mais com o aluguel. “O tratamento não funcionou e nem sei explicar o que aconteceu. Você leva uma vida normal e, de repente, chega um oficial de justiça e tira você de casa. Tudo o que eu tinha era o meu trabalho e a oficina, onde garantia minha independência financeira, mas a depressão fez isso comigo”.

“Quando começaram as aulas, passei a sair mais de casa. Andava de metrô e percebia que estava bem, caminhava pela rua e sentia que o medo tinha ido embora. O curso foi uma espécie de renascimento para mim. Eu me sinto como uma jovem de 19 anos, começando tudo de novo, com força, energia e vigor.”

Judite Oliveira

Em 2015, sem ter para onde ir, ela foi acolhida pelo Maria, Maria. Lá, contou com a ajuda dos profissionais do abrigo e retomou o tratamento da doença. Ela ainda enfrentava muitos desafios quando surgiu a oportunidade de participar do projeto. O curso foi uma virada na vida da Judite, que conseguiu vencer alguns dos seus medos. “Quando começaram as aulas, passei a sair mais de casa. Andava de metrô e percebia que estava bem, caminhava pela rua e sentia que o medo tinha ido embora. O curso foi uma espécie de renascimento para mim. Eu me sinto como uma jovem de 19 anos, começando tudo de novo, com força, energia e vigor”.

À medida que participava das aulas, Judite foi vencendo os sintomas da doença pouco a pouco. Antes de finalizar o curso, ela encontrou forças para recuperar parte do seu maquinário e, atualmente, trabalha no ateliê de um dos professores do curso. “Hoje parece que a depressão foi apenas um pesadelo, do qual acordei e me sinto muito feliz”.

O nosso apoio a esse projeto é fruto da iniciativa Mulheres que Inspiram, que convidou, em 2016, os funcionários da C&A a compartilhar selfies em homenagem às mulheres inspiradoras que conheceram ao longo da vida. Com mais de 80% de participação, a campanha gerou uma doação de mais de R$ 500 mil para apoiar instituições brasileiras que trabalham para capacitar mulheres. Parte desse valor foi destinado ao projeto Formação em Arte, Cultura e Costura.