Décima edição do Diálogos Transformadores

A décima edição do Diálogos Transformadores ocorreu no dia 4 de setembro, no auditório da Folha de S. Paulo, e trouxe à tona um debate que está abrangendo diversos setores do mercado, dentre eles o da moda. O jornal Folha de S. Paulo, em parceria com o Instituto C&A, convidou sete personalidades, entre especialistas e empreendedores sociais, para mostrarem os avanços e desafios para termos uma moda que seja exemplo de transparência.

“Esse momento já foi um embrião do que pode ser uma colaboração, que precisamos de todas essas entidades juntas para realmente fazer uma transformação”, iniciou Leonardo Marques, professor da Coppead, escola de negócios da UFRJ.

Entender em que ponto estamos neste momento para, então, sabermos aonde podemos chegar é o primeiro passo. De acordo com Oded Grajew, presidente da Oxfam Brasil, uma organização global que trabalha para enfrentar a exclusão social e as desigualdades, revelar a situação atual do setor é fundamental para conquistar mudanças significativas.

Esse entendimento é relevante para que se encontre soluções viáveis para os desafios de tornar a indústria da moda sustentável. “Ao divulgar esse tipo de diálogo, abrem-se novas visões, iniciativas diversas, que permitem vislumbrar um panorama mais amplo. A inteligência coletiva traz soluções”, afirmou Marcel Gomes, secretário-executivo da ONG Repórter Brasil.

Sendo o quarto maior parque produtivo do mundo e com faturamento anual de 45 bilhões de dólares, é possível entender a relevância do setor têxtil brasileiro para o mundo. O setor emprega 8 milhões de pessoas, com cerca de 1,5 milhão de empregados diretos mais os indiretos, dos quais 75% são mão de obra feminina. E é por conta deste impacto que o Instituto C&A desenvolve um trabalho para tornar este setor mais justo e sustentável.

Para Giuliana Ortega, diretora-executiva do Instituto C&A, discutir e arranjar soluções para que a cadeia produtiva da moda seja mais transparente é um caminho sem volta. “Só o fato de estarmos discutindo o tema no Brasil, com essa diversidade de atores, já é um avanço e tanto. Estamos realmente parando para falar sobre isso e olhando para a transparência como um fator chave na moda.”

Histórico

A indústria da moda foi profundamente impactada em 2013, quando o edifício Rana Plaza, localizado em Bangladesh, que abrigava diversas confecções que forneciam insumos para grandes redes da moda, desabou, causando a morte de mais de mil pessoas e deixando mais de 2.500 gravemente feridas. “É necessário que todos se unam para que informações reais, críveis e detalhadas apareçam para entendermos onde estão os maiores embates e desafios da cadeia da moda”, completou Eloísa Artuso, diretora Educacional do Fashion Revolution Brasil.

O Rana Plaza é, hoje, o símbolo da exploração dos trabalhadores do setor têxtil. O imóvel deveria ter sido interditado no dia anterior ao colapso por conta de rachaduras na estrutura, mas os funcionários foram obrigados a irem trabalhar normalmente. O acontecimento revelou o lado, antes obscuro, das subcontratações feitas pelas grandes empresas internacionais da moda, como consequência da incessante busca pela redução dos custos de produção em uma economia globalizada.

“Devemos não só falar em cooperação, mas pensar em como construímos arranjos de longo prazo”, comentou Sérgio Andrade, fundador da Agenda Pública, quando o Rana Plaza foi colocado em pauta no evento Diálogos Transformadores. O desabamento do prédio ocorreu em 2013 e ainda estamos começando a ver as mudanças acontecerem, como é o caso da publicação do Índice de Transparência do Brasil, que será lançado em outubro deste ano.