Combate ao Trabalho Forçado e ao Trabalho Infantil

Estamos trabalhando para erradicar o trabalho forçado na indústria da moda.

A falta de transparência e de rastreabilidade em complexas cadeias de fornecimento da indústria da moda permite que o trabalho forçado e o trabalho infantil possam passar despercebidos e impunes. Isso tem de mudar.

Estamos trabalhando com parceiros em toda a indústria da moda para enfrentar as causas do trabalho forçado e do trabalho infantil. Ao mesmo tempo, apoiamos as vítimas desse crime, dando a elas o apoio de que precisam para se recuperar e prosperar.

 

Tornar o problema visível gera mais responsabilidade, especialmente para aqueles com o poder de criar mudanças.                 
Brandee Butler, diretora global de justiça de gênero e direitos humanos

O desafio

A escravidão moderna atinge 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com o relatório Índice de Escravidão Global 2016, sendo que mais de 150 mil delas estão no Brasil.

Essa não é uma característica apenas da indústria da moda, cuja situação tem melhorado em todo o mundo. No entanto, milhares de crianças e adultos ainda são submetidos a situações de trabalho forçado ou infantil dentro da cadeia de fornecimento da moda – dos campos de algodão e usinas de beneficiamento a oficinas e fábricas de costura.

Isso acontece em áreas de grande desigualdade socioeconômica e práticas de negócio pouco transparentes, onde as leis são frágeis ou não são cumpridas e há abundância de mão de obra barata.

Queremos pôr um fim nisso. Para fazê-lo, temos de rever normas culturais e sociais estabelecidas, bem como trazer transparência para a cadeia de fornecimento da indústria da moda.

Promovendo a colaboração e a transparência

O trabalho forçado e o trabalho infantil são crimes silenciosos e ocultos. Precisamos dar transparência ao problema a fim de mudar essa realidade. Para isso, estamos atuando em conjunto com as organizações sociais e setoriais, com as redes varejistas e com as comunidades afetadas por esse problema.

Nas populações em que o trabalho forçado é comum, constata-se uma enorme falta de consciência sobre os direitos humanos e trabalhistas. Para enfrentá-la, trabalhamos para que os mais vulneráveis possam ter acesso a tais direitos. É o caso dos imigrantes que chegam para trabalhar em território brasileiro, muitas vezes já em situação de servidão por dívida.

Estamos combatendo o trabalho forçado no Brasil com diferentes estratégias e parceiros como, por exemplo, o Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPacto). Essa organização convoca empresas de diversos setores a assinar dez compromissos para o enfrentamento do trabalho escravo em suas cadeias produtivas. Além de monitorar o cumprimento desses compromissos pelas empresas signatárias, o InPacto dá transparência ao trabalho forçado e propõe políticas públicas de combate a ele em todo o Brasil.

Abordagem sistêmica em áreas críticas

Fortalecendo os mais vulneráveis

Lidar com o trabalho forçado e Infantil exige soluções multifacetadas. Por isso, trabalhamos com uma abordagem sistêmica para hotspots (áreas-foco), o que significa que concentramos nossos esforços numa região com grande ocorrência do problema. Nela, trabalhamos com organizações sociais, iniciativas multissetoriais e o governo, promovendo troca de experiências e colaboração.

Estamos estabelecendo um hotspot na Região Metropolitana de São Paulo, onde dezenas de milhares de imigrantes latino-americanos trabalham em pequenas oficinas de costura em condições degradantes, por salários irrisórios e às vezes em condições “análogas à escravidão", conforme definido pela legislação brasileira.

Em parceria com a organização Freedom Fund, a C&A Foundation está trabalhando num hotspot localizado no Estado de Tamil Nadu, na Índia. O objetivo dessa iniciativa é impedir que meninas e mulheres com acesso limitado à educação e poucas alternativas de emprego sejam levadas ao trabalho forçado, por meio de um esquema chamado sumangali.

A luta pela erradicação do trabalho forçado e do infantil é longa e árdua. Apesar do progresso que tivemos na indústria da moda, ainda há homens, mulheres e crianças que precisam de apoio para se libertar do trabalho forçado e construir uma nova vida.

Trabalhamos com várias organizações para identificar e apoiar as vítimas de trabalho forçado e escravo. Graças às nossas parcerias com a Missão Paz e com o Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (Cami), em São Paulo, imigrantes vítimas do trabalho forçado já têm a esperança de uma vida melhor. Ao receberem aconselhamento, apoio para obter documentação, educação e capacitação, eles podem trabalhar de forma legal e obter condições que lhes proporcionem uma vida digna.

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