Melhores Condições

de Trabalho

Criando condições justas para os trabalhadores da indústria da moda

A indústria da moda emprega 1,5 milhão de pessoas no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil. Queremos que todas elas tenham vidas dignas e possam prosperar.

No entanto, de Bangladesh à China, da Turquia ao Brasil, sabemos que muitos trabalhadores ainda não possuem condições justas de trabalho. Ao ajudá-los a defender seus interesses – e envolver toda a indústria na busca por melhorias –, acreditamos poder mudar radicalmente a situação para os que trabalham da indústria da moda.

O desafio

Embora algumas marcas estejam avançando a passos largos no enfrentamento de questões complexas que levam a condições degradantes de trabalho, sabemos que ainda há muito espaço para avanços.

A presença da informalidade e a grande fragmentação da cadeia de fornecimento da indústria da moda dificultam a mudança. Com uma estrutura complexa e pulverizada, é difícil enxergar onde estão os problemas. Mas mudar é possível. Uma maior transparência do setor e a colaboração entre marcas, fábricas, oficinas de costura e os trabalhadores podem melhorar as condições do setor e criar uma mudança duradoura.

A solução: transparência na cadeia de fornecimento

Sabemos que os esforços para melhorar o bem-estar dos trabalhadores são fortalecidos quando as condições de trabalho são de conhecimento público. Informações confiáveis, acessíveis e transparentes têm o poder de influenciar decisões que levam a uma mudança positiva no comportamento. Trabalhadores bem informados podem escolher trabalhar em fábricas que tratam melhor as pessoas.

As marcas podem escolher melhorar suas práticas de compras e fazer com que os fornecedores repassem os benefícios aos trabalhadores. E os consumidores podem escolher onde comprar, baseados nas evidências de como uma marca atua. Ao disponibilizar informações previamente desconhecidas, podemos dar condições e incentivar os responsáveis pela tomada de decisões, em cada etapa da cadeia de fornecimento, a fazer as escolhas que irão, por fim, melhorar as condições de trabalho dos trabalhadores da indústria de confecção.

Apoiando a gestão de pequenas oficinas

Com uma estrutura altamente fragmentada entre fábricas e oficinas de costura, 98% do setor de confecção de vestuário no Brasil é composto por pequenas e microempresas, segundo o SEBRAE. Em sua maioria, são oficinas de costura que possuem baixa densidade tecnológica e mão de obra pouco qualificada.

Com baixo desempenho econômico e limitada capacidade de gestão, muitas empresas de confecção têm dificuldades de pagar impostos trabalhistas e garantir condições adequadas de trabalho aos seus funcionários. Mas isso pode mudar.

Estamos unindo forças com a C&A e outras empresas para tratar desses problemas. Em parceria com o Uniethos e o Fundo Multilateral de Investimento (Fumin), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), lançamos o Programa Valor em Cadeia, que oferece treinamento e técnicas de gestão para melhorar o desempenho do negócio, o bem-estar dos funcionários e a gestão ambiental das micro, pequenas e médias empresas.

Dando voz aos trabalhadores

Dar voz aos trabalhadores da indústria da moda é outra vertente importante do nosso trabalho. Afinal, são os trabalhadores que sabem melhor do que ninguém o que precisa mudar.

Ao ouvir esses trabalhadores, estamos ouvindo principalmente às mulheres – que representam 76% da mão de obra do setor. Infelizmente, em muitos locais as mulheres ainda são oprimidas e têm maior dificuldade de acessar os seus direitos. Por isso, se dermos voz a elas podemos criar uma indústria da moda que trabalha em favor da integridade e da igualdade de remuneração e oportunidades a todas as mulheres.

Em um setor fragmentado e que conta com milhões de trabalhadores, é fundamental que eles conheçam e possam acessar seus direitos. Acreditamos que ações relacionadas à educação, transparência e capacitação podem apoiá-los para que defendam seus interesses no local de trabalho, em suas casas e comunidades.