Fashion Revolution lança 1ª edição do Índice de Transparência da Moda Brasil

O movimento global de moda sustentável Fashion Revolution está lançando sua primeira edição do ITM Brasil. A versão regional do relatório classificou 20 grandes marcas e varejistas com base na divulgação pública de suas políticas, práticas e impactos sociais e ambientais.

Co-realizado pelas equipes brasileira e global do movimento Fashion Revolution e com parceria técnica do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), o projeto é apoiado pelo Instituto C&A, que já é parceiro do ITM Global desde 2016, e pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex).

Além de analisar em que medida marcas e varejistas da moda comunicam ao público suas ações, o ITM tem como objetivo incentivar uma maior prestação de contas em relação aos impactos socioambientais do setor.

“Acreditamos que a indústria da moda tem o poder e a capacidade de ser uma força para o bem comum, e entendemos que o índice é uma ferramenta importante para fomentar a transparência, além de nos ajudar a atingir esse objetivo”, afirma Giuliana Ortega, diretora executiva do Instituto C&A.

O estudo teve como base as informações disponibilizadas publicamente em canais como sites e relatórios de responsabilidade social corporativa ou de sustentabilidade e avaliou cinco categorias: “Políticas e Compromissos”, “Governança”, “Rastreabilidade”, “Conhecer, Comunicar e Resolver” e “Tópicos em Destaque”.

Além disso, as equipes do Fashion Revolution e FGVces desenvolveram um questionário com quase 200 perguntas, enviado aos representantes das marcas, para estimular o processo participativo.

A terceira edição do Índice de Transparência da Moda Global, publicada em abril de 2018, analisou 150 marcas de moda internacionais, que obtiveram uma pontuação geral média de 21% (52 de 250 pontos possíveis). A pontuação geral média do levantamento brasileiro, por sua vez, foi de 17%, ou 41 de 250 pontos possíveis.

Quatro marcas do Brasil que foram analisadas também pelo ITM Global de 2017 revelaram um crescimento médio de 38% em seus níveis de transparência, de um ano para cá. O dado indica que o relatório estimula, na prática, que as marcas publiquem mais informações socioambientais.


O Fashion Revolution vem ampliando desde 2014 a busca por responsabilidade, ética e transparência nos processos de moda em mais de 90 países.

O movimento foi criado no Reino Unido para aumentar a conscientização sobre o tema, buscar soluções sustentáveis, criar conexões e trabalhar a longo prazo.

Aron Belinky, coordenador da equipe de pesquisas da FGVces, ressaltou o potencial do relatório como catalisador de mudanças. “Que iniciativas como essa sirvam de modelo e inspiração a outros setores da economia brasileira, com desafios tão abrangentes quanto os da indústria da moda."