Instituto C&A apoia luta pelos direitos humanos

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Trabalhamos para enfrentar as causas do trabalho forçado e do trabalho infantil na indústria da moda

A escravidão atinge mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com o relatório Índice Global de Escravidão 2018, sendo que 370 mil delas estão no Brasil. O documento indica ainda que 71% das vítimas são mulheres. 

Milhares de crianças e adultos ainda são submetidos a condições de trabalho forçado ou infantil dentro da cadeia de fornecimento da moda – dos campos de algodão e usinas de beneficiamento a oficinas e fábricas de costura. Sabemos que os números têm melhorado ao longo dos anos, mas ainda há muito a ser feito. 

Estamos trabalhando com parceiros, de maneira sistêmica, para enfrentar as causas do problema. Ao mesmo tempo, prestamos apoio às vítimas desse crime, dando a elas o amparo que precisam para se recuperar e prosperar.
 

“Só é possível erradicar o trabalho escravo e o trabalho infantil unindo esforços e engajando diferentes organizações”, afirma Luciana Campello, gerente de Direitos Humanos e Transformação da Cadeia de Fornecimento do Instituto C&A. 

 

Luciana está à frente desse trabalho no Instituto C&A e coordena a ação de parceiros que atuam no combate ao trabalho forçado e infantil.

A solução 

Áreas de grande desigualdade socioeconômica e práticas de negócio pouco transparentes, onde as leis são frágeis ou não são cumpridas e há abundância de mão de obra barata estão mais vulneráveis a esse tipo de situação.

Além disso, nas populações em que o trabalho forçado é comum, constata-se uma enorme falta de consciência sobre os direitos humanos e trabalhistas. Para enfrentá-la, trabalhamos para que os mais vulneráveis possam ter acesso a tais direitos. É o caso dos imigrantes que chegam para trabalhar em território brasileiro, muitas vezes já em situação de servidão por dívida.

Precisamos dar transparência ao problema a fim de mudar essa realidade. Para isso, estamos atuando em conjunto com organizações sociais e setoriais, com as redes varejistas e com as comunidades afetadas por esse problema, apoiando iniciativas que fortaleçam os mais vulneráveis e trabalhem sistemicamente nas áreas onde o trabalho escravo e o trabalho infantil são mais recorrentes.

Parceiros 

Estamos combatendo o trabalho forçado no Brasil com diferentes estratégias e parceiros como, por exemplo, o Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPacto). A organização convoca empresas de diversos setores a assinar dez compromissos para o enfrentamento do trabalho escravo em suas cadeias produtivas. Além de monitorar o cumprimento desses compromissos pelas empresas signatárias, o InPacto dá transparência ao trabalho forçado e propõe políticas públicas de combate a ele em todo o Brasil.

Também apoiamos o projeto “Escravo, nem pensar!” (ENP!), que tem mudado a realidade de crianças e famílias migrantes que moram na capital paulista. Realizado pela ONG Repórter Brasil, o ENP! sensibiliza e capacita esses profissionais com o intuito de ampliar e aprimorar o atendimento a imigrantes e seus familiares nos serviços públicos da cidade. 

“A iniciativa surgiu porque há uma quantidade grande de migrantes no município – muitos dos quais acompanhados por suas famílias – que acessam as escolas, os serviços de assistência social e da saúde e buscam empregos. Grande parte deles se encontra em situação de vulnerabilidade socioeconômica e, portanto, exposta a situações de exploração, como o trabalho escravo”, explica Natália Suzuki, coordenadora do ENP!.

O projeto já realizou a formação de 44 professores em escolas das 13 Diretorias Regionais de Educação (DRE) de São Paulo, que são divisões administrativas da Secretaria Municipal de Educação, e de 26 profissionais da assistência social. A expectativa é alcançar 5.000 pessoas direta e indiretamente com as ações que serão desenvolvidas até 2019.

“O ENP! tem exatamente esse foco ao fortalecer a atuação de profissionais da educação e da assistência para melhor atendimento de populações migrantes em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo”, completa Luciana. 

Também adotamos uma abordagem sistêmica para hotspots (áreas-foco), concentrando nossos esforços numa região com grande ocorrência do problema. Nela, trabalhamos com organizações sociais, iniciativas multissetoriais e o governo, promovendo troca de experiências e colaboração. 

Ainda graças às nossas parcerias com a Missão Paz e com o Cami - Centro de Apoio e Pastoral do Migrante, em São Paulo, imigrantes vítimas do trabalho forçado já têm a esperança de uma vida melhor. Ao receberem aconselhamento, apoio para obter documentação, educação e capacitação, eles podem trabalhar de forma legal e obter condições que lhes proporcionem uma vida digna.
 

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