Instituto C&A defende melhores condições de trabalho

Lutamos por uma indústria da moda mais transparente, que potencialize a voz das trabalhadoras e proporcione condições justas

A informalidade e a grande fragmentação da cadeia de fornecimento da indústria da moda dificultam o processo de melhoria das condições de trabalho, isso porque sua estrutura complexa e pulverizada não nos permite enxergar onde estão os problemas. Mas mudar é possível. E o Instituto C&A acredita que incentivar a transparência do setor e a colaboração entre marcas, fábricas, oficinas de costura e trabalhadores pode criar uma mudança duradoura.

Além da busca por maior visibilidade na cadeia, apoiamos ações com o objetivo de empoderar e potencializar a voz de trabalhadoras e trabalhadores, para que eles defendam seus interesses no local de trabalho, em suas casas e comunidades.

Embora algumas marcas estejam avançando a passos largos no enfrentamento de questões complexas que levam a condições degradantes de trabalho, sabemos que ainda há muito espaço para avanços. 
 

“As mulheres representam 76% da mão de obra do setor (dado da Associação Brasileira da Indústria Têxtil). Nosso objetivo é potencializar a voz das trabalhadoras e facilitar a atuação delas como líderes no processo de melhorias”, explica Mariana Xavier, coordenadora do programa Melhores Condições de Trabalho do Instituto C&A.

Mariana está à frente desse trabalho no Instituto C&A e coordena iniciativas de parceiros que atuam para garantir melhores condições de trabalho na indústria da moda.

A solução 

Cerca de 98% do setor de confecção de vestuário no Brasil é composto por pequenas e microempresas, segundo o Sebrae. Em sua maioria, são oficinas de costura que possuem pouco investimento tecnológico e mão de obra pouco qualificada.

Com um alto índice de trabalho informal, muitas vezes resultado de desempenho econômico baixo e má gestão, muitas empresas no setor de confecção têm dificuldades de pagar impostos trabalhistas e garantir condições adequadas de trabalho aos seus funcionários.

Apoiamos iniciativas que impulsionam a transparência e visam dar voz às trabalhadoras, pois sabemos que os esforços são fortalecidos quando as condições de trabalho são de conhecimento público. Informações confiáveis, acessíveis e transparentes têm o poder de influenciar decisões. A transparência do setor possibilita que os consumidores possam escolher onde comprar, baseados nas evidências de como uma marca atua. Além disso, trabalhadoras e trabalhadores informados têm mais força para lutar pelos seus direitos e incentivar a mudança.

A transformação já está acontecendo. Em resposta a demandas por maior transparência, um número crescente de marcas e grupos industriais começou a divulgar publicamente informaçõers como nomes e locais das oficias de costura com as quais trabalham, dando espaço para a divulgação de informações importantes como, por exemplo, a segurança no ambiente de trabalho. 

Parceiros 

Em 2018, o Fashion Revolution, com apoio técnico do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), parceiro do Instituto C&A, lançou o primeiro Índice de Transparência na Moda com marcas do varejo brasileiro. 

Nele, 20 grandes nomes do mercado nacional foram classificados com base na divulgação pública de suas políticas, práticas e impactos sociais e ambientais.

“Acreditamos que a indústria da moda tem o poder e a capacidade de ser uma força para o bem comum, e entendemos que o índice é uma ferramenta importante para fomentar a transparência, além de nos ajudar a atingir esse objetivo”, afirma Giuliana Ortega, diretora executiva do Instituto C&A.

Além do Fashion Revolution, atuamos em outras frentes com parceiros como Instituto ETHOS, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Repórter Brasil e Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPACTO), responsáveis pelo projeto “Vozes da Moda”, que conta com o apoio do Instituto C&A, por meio do Programa Melhores Condições de Trabalho.

O objetivo do “Vozes da Moda” é construir uma agenda coletiva para as confecções presentes no agreste pernambucano, que lidam com problemas como escassez de água e baixa remuneração de trabalhadoras e trabalhadores. 

“Buscamos promover o diálogo entre os setores da sociedade. Reunimos empresários, entidades sindicais, trabalhadoras do setor, poder público e membros da sociedade civil para construir uma agenda coletiva, na qual levantamos os principais desafios e discutimos maneiras de resolvê-los, sempre considerando o ponto de vista de cada elo da cadeia”, explica Milena Prado, técnica do DIEESE.